Torres justifica optimismo do Chelsea

Fernando Torres explica ao UEFA.com o segredo para derrotar o Barcelona e fala do espírito de equipa incutido que dá ao Chelsea esperança de resistir no jogo da segunda mão, em Cam Nou.

Fernando Torres (centro) festeja com com Salomon Kalou (esquerda) e Juan Matao o golo do Chelsea no terreno do Benfica
Fernando Torres (centro) festeja com com Salomon Kalou (esquerda) e Juan Matao o golo do Chelsea no terreno do Benfica ©Getty Images

Desde a chegada do treinador interino Roberto Di Matteo, o ponta-de-lança Fernando Torres diz que o Chelsea FC está a "começar a desfrutar novamente, em vez de sofrer". Porém, a equipa da Londres terá, certamente, de voltar a saber fazê-lo em Camp Nou esta terça-feira e, na antevisão do embate da segunda mão das meias-finais da UEFA Champions League, o jogador espanhol sente ter razões para acreditar que a sua formação vai levar a melhor sobre o FC Barcelona.

Esta tem sido uma temporada estranha para o Chelsea. A má temporada na Premier League levou à saída prematura do português André Villas-Boas do comando técnico da equipa no início de Março e os "blues" continuam ainda longe de um lugar nos quatro primeiros da classificação. Porém, sob as ordens de Di Matteo, é notório um crescimento de forma e Torres destaca que o espírito de equipa tem sido determinante para isso.

Di Matteo, que alinhou seis temporadas em Stamford Bridge, passou as últimas sete semanas a reforçar a importância de colocar o clube à frente de tudo. E, após dez vitórias e apenas uma derrota em 14 jogos, o seu discurso está, sem dúvida, a chegar com êxito aos jogadores.

"A sua mensagem aponta, claramente, ao espírito de equipa: lutar", confidenciou Torres ao UEFA.com. "Há que lutar primeiro e só assim, depois, o talento vai evidenciar-se. Quando estes aspectos se conjugam, consegue vencer-se os adversários na maioria das vezes. Todos entendemos o que ele quer: há que dar tudo pelo clube. Ele veio para aqui, jogou aqui, por isso faz parte desta casa."

Derrotar os adversários é uma coisa, mas afastar o actual campeão europeu de clubes da defesa do título é outra bem diferente. Torres é um enorme admirador dos compatriotas Xavi Hernández e Andrés Iniesta, ao lado de quem conquistou troféus importantes ao serviço da selecção de Espanha, desde o Campeonato da Europa de Sub-19 de 2002 até ao UEFA EURO 2008 e ao Mundial de 2010, mas acredita que sabe como levar a melhor sobre eles.

"É óbvio que o Barcelona se encontra um passo à frente de todos os outros clubes. Esteve nas últimas cinco meias-finais da prova e não vai, de todo, ser fácil para nós, mas no futebol a melhor equipa nem sempre ganha. Xavi e Iniesta são jogadores que ditam o ritmo de jogo. Quando se joga contra eles, é necessário compreender que vão ser eles a controlar o encontro."

"Muitas equipas que jogam contra o Barcelona pensam que têm de evitar que eles tenham a bola, mas não creio que isso seja possível. Tem de se usar armas diferentes contra eles. Se o objectivo for tirar-lhes a posse de bola, não vamos conseguir e vamos acabar por nos cansar, abrindo mais espaços para eles jogarem."

Até agora, a estratégia do Chelsea tem dados frutos. Embora o Barcelona tenha tido 72 por cento do tempo de posse de bola na partida da primeira mão e de a turma de Di Matteo apenas ter efectuado um remate na direcção da baliza, contra seis da formação "azulgrana", são os londrinos que estão em vantagem na eliminatória depois da vitória por 1-0 em Stamford Bridge.

Torres não saiu do banco de suplentes durante o encontro da passada semana, mas foi titular em ambas as mãos dos quartos-de-final, frente ao Benfica, mostrando-se decisivo no lance que valeu a Salomon Kalou a obtenção do golo da vitória em Lisboa. Muito se tem falado dos poucos tentos apontados pelo espanhol com a camisola do Chelsea, mas o antigo ponta-de-lança do Club Atlético de Madrid e do Liverpool FC insiste que o seu jogo é mais do que marcar.

"Esta equipa mudou um pouco a minha forma de jogar, pois tem um estilo de jogo próprio", explicou o internacional espanhol de 28 anos. "Para mim, o mais importante é marcar golos, é para isso que treino todos os dias, mas é evidente que esta temporada tem sido complicada e a equipa tem de estar sempre em primeiro lugar. Será uma catástrofe se não estivermos na Champions League [na próxima temporada], por isso temos de estar preparados para fazer tudo o que for necessário para lá estarmos. Não importa quem joga, quem marca os golos, quem faz as assistências e quem fica no banco. O mais importante é que sejamos bem-sucedidos." Idealmente a começar já esta terça-feira, em Camp Nou.